Meu primeiro programa

Fui um acompanhante que viveu na Zona Sul do Rio de Janeiro em uma das melhores regiões do Rio – Copacabana. Um bairro super badalado e repleto de gente que faz programa pelo fato de ser um bairro bem localizado, “seguro” e mais acessível financeiramente. Iniciei nessa vida aos 20 anos de idade e viajei por mais de 10 estados brasileiros onde morava em torno de um a três meses, fazendo o que chamamos de “temporada”. Quando comecei era muito jovem e não tinha noção de quanta coisa me aguardava pelo caminho. Era super inocente. Na época, antes de iniciar na profissão do sexo eu trabalhava em uma grife de shopping em São Paulo, mas os gastos eram tão grandes que as vezes eu não tinha dinheiro nem para comer. Lembro que tinha vezes que minha mãe me mandava escondida de meu pai setenta reais para que eu tivesse como me alimentar.

Foi nessa época que encontrei uma amiga da mesma cidade que nasci perdida por São Paulo e que era ficha rosa. Para quem não sabe o que é ficha rosa eu explico: São modelos de agencias conhecidas ou não, que fazem programa por caches muito mais altos que o normal e que não se divulgam em sites pela internet. É algo mais discreto. Então, peguei o contato de uma dessas agenciadoras que por sinal não trabalhava para agencia nenhuma e sim por conta própria e perguntei se havia algum cliente para mim. Ela disse que não havia… Foi quando eu comecei a procurar caras mais velhos adicionados em seu Facebook e “cutucar”, que na época era coisa muito comum. Quando um daqueles vários senhores que eu havia cutucado me “cutucou” de volta eu então parti para o ataque. Ele tinha em torno de 60 anos e tinha desejos sexuais por garotos novinhos. Depois de muita conversa e papo, acertamos um valor e fui até ele. Chegando ao local ele estava bebendo um vinho e me convidou para o acompanhar. Fiquei impressionado com o belo apartamento e que por sinal era em um bairro super bem localizado. Tomamos algumas taças, conversamos… Tudo ocorreu muito bem, tirando a transa… Pois fui passivo e além de eu nunca gostar muito de ser passivo, lembro que na época eu não tinha muita experiencia em ser. Resumindo, era um sacrifício para mim. Quando terminamos fui tomar meu banho e ao sair do banho, entrando no quarto, ele havia deixado o combinado em cima do divã. Vesti a roupa e fui embora. Nunca havia me senti tão mal em toda a minha vida, tão sujo. Era a primeira vez que eu trocava momentos de prazer por dinheiro. Eu era em fim, um garoto de programa.

O primeiro programa, ou algum dos primeiros programas costumam ser o batismo de um acompanhante. A gente em algum momento acaba sentindo toda a energia com a qual estamos nos envolvendo… E essa energia na maioria das vezes é muito pesada e dolorosa espiritualmente e emocionalmente falando. Pois estamos trocando algo que deveria ser sagrado por dinheiro, bens materiais e coisas somente materiais. Nos afastando da comunhão com Deus e com o amor universal… Com o passar do tempo vamos nos acostumando com isso ou criando barreiras psicológicas para blindar esse sentimento negativo. Mas infelizmente depois de alguns anos vivendo essa experiência eu não aprendi e não conheço pessoas que tenham conseguido escapar dos efeitos catastróficos que essa realidade causa no emocional e no espiritual. Uma hora será preciso encarar de frente e quando essa hora chegar é preciso aprender a aceitar. ACEITAR para poder se transformar.