O dia que entrei pra faculdade

Acho que um dos dias mais felizes de toda a minha vida foi o dia em que deixei o comodismo de lado e consegui em fim entrar pra universidade. E sim, eu era um acompanhante de site que estava entrando pra universidade.

Eu estava super confiante, cheio de vontade pro início das aulas até que em fim chegou o dia… Conheci a turma, e o pessoal da universidade de comunicação pareciam todos super mente aberta e gente boa… Até o dia que fui na primeira chopada da universidade. E para quem não sabe o que é “chopada”… chopada é uma festa onde todos os universitários e alguns penetras se encontram e bebem. Eu como sempre, bebi além da conta e nesse dia entrei numa super bad na qual eu achava que todas as pessoas ali presentes estavam me olhando com olhar de julgamento. Parecia que todos sabiam que eu me anunciava num site na internet e trocava alguns momentos de sexo por dinheiro. A exposição nunca tinha sido um problema tão grande para mim. Era uma vibração muito forte, um sentimento de angústia, de tristeza, de julgamento. Foi quando saí correndo pro lado de fora e lá, fumando um cigarro com uma amiga que sabia o que eu fazia que eu fui aos poucos voltando ao meu estado normal de consciência.

Sim, uma ou outra pessoa estavam me julgando naquele lugar. Mas o grande julgador naquele lugar era eu mesmo sobre mim mesmo. Sempre somos nós mesmos aqueles que mais se julgam, que mais se maltratam, que mais olhamos para os “defeitos” do que para as nossas qualidades. Ser julgado é uma consequência de tudo o que escolhemos fazer na vida, mas como vamos lidar com esse julgamento cabe somente a nós dar valor ou não. Depois daquele dia eu nunca mais me importei mais do quem com o fato de me aceitar exatamente como eu era. Afinal, eu estava caminhando para a mudança e eu não iria parar no meio do caminho porque meia dúzia de pessoas olharam torto para mim e riram da minha cara. Eu não tinha culpa se eles eram tão imaturos, insensatos e desprezíveis. Eu não podia estar errado por lutar, eu estava tentando ocupar o meu espaço. O espaço que eu eu sempre sonhei em estar e ninguém iria me parar.